Acompanhando alguns indícios de melhora da economia, o mercado de colchões deverá retornar ao terreno positivo em 2017, com alta de 3% da produção sobre o ano anterior. Para 2018, o crescimento poderá atingir 7%.

“Existe uma demanda reprimida no segmento, já que viemos de dois anos consecutivos de queda. A melhora do crédito é essencial para uma recuperação substancial”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol), Alexandre Prates Pereira.

Entre as empresas que projetam a melhora está a Flex, que deve ter um avanço da receita de 4% a 5% neste ano, mas de até 10% em 2018, afirma o diretor-geral da empresa, Edson Ayub. “A inflação em baixa e a queda dos juros está trazendo o consumidor novamente para o mercado. Há um aumento efetivo das compras no varejo”, afirma.

Outra companhia que observa recuperação é a CBP. Segundo o presidente do conselho de administração, Marcelo Rodrigues, o faturamento neste ano deverá atingir a casa dos R$ 300 milhões, retornando a um patamar semelhante ao de 2015, ao passo que o crescimento para 2018 deve ficar na faixa dos 10% a 12%. “Observamos alguns sinais importantes de retomada. De agosto para cá, houve um aumento da carteira de pedidos: antes tínhamos uma visibilidade de produção de 15 dias, que agora passou para 45 dias”, destaca.

Segundo dados da Iemi Consultoria, a produção de colchões atingiu o pico em 2014, com um total de 35,9 milhões de peças. Desde então o volume vem caindo, acumulando recuo de 10,7% até 2016.

Apesar da retração em volume, o valor da produção nacional vem crescendo desde 2012, influenciado pela alta de preços, sobretudo de insumos, como do diisocianato de tolueno (TDI), matéria-prima para a produção da espuma. A desvalorização do real, entre 2015 e 2016, puxou a alta da commodity aos produtores brasileiros, que, diante do enfraquecimento do mercado interno, tiveram dificuldade de repassar com rapidez o aumento dos custos.

No segundo semestre deste ano, a passagem do furacão Harvey retraiu a oferta do TDI, gerando um novo aumento, entre 20% e 25%, que está sendo repassado ao preço na ponta em aproximadamente 14%, diz Pereira da Abicol. “A demanda [do insumo] ainda segue superior à oferta, mas é uma situação momentânea.”

Mudança de hábito

Segundo Pereira, o crescimento do setor foi puxado pela maior exigência de qualidade por parte dos consumidores e trocas mais constantes do produto. “Aquela ideia de que o colchão deveria durar de 5 a 10 anos já não é mais tão disseminada”, avalia.

Uma das consequências dessa mudança de hábitos foi o surgimento de uma série de lojas segmentadas, que se especializaram na venda técnica para atender às novas tendências do consumidor. A própria expansão do mercado imobiliário contribuiu para alavancar a produção do setor.

No entanto, a crise que abalou o setor imobiliário impactou diretamente não só a venda de colchões, como itens para dormitórios em geral. “O fluxo de consumidores nas lojas caiu mais 40% quando comparado a 2014”, aponta Ayub, da Flex.

Para driblar a crise, a estratégia da empresa inclui expansão na região Nordeste e melhorar a distribuição no interior de São Paulo. A produção anual média da companhia, de 150 mil peças, poderá avançar, em volumes, cerca de 7% em 2018. Na avaliação de Ayub, o mercado de colchões no Brasil chegou ao fundo do poço em 2016.

Já o executivo da CBP observa um aumento das encomendas por parte das incorporadoras imobiliárias, que estão optando por entregar apartamentos – principalmente os de menor metragem, de até 40 metros quadrados-, com o dormitório montado. “Algumas construtoras estão encomendando diretamente da indústria soluções para quartos prontos”, relata Rodrigues.